Foi assim mesmo que aconteceu.
Ao longo da estrada, furou o pneu.
Apareceu então uma figura esguia,
um educado Galisteu.
\"Senhora... ajuda?\"
mal falava português, quando ofereceu.
Estremeci, pois nada sabia sobre pneu
e aceitei sem perceber que
o sujeito tinha uma mala estranha:
esculpido no couro dizia
Ferramentas dos Pirineus.
Este homem, pensei,
parece mesmo europeu,
mas de onde será que viria, meu Deus?
Resolvi arriscar e perguntar o seu nome.
Era Costa Abreu.
Enquanto ele ajudava com o pneu,
resolveu me contar sua história.
Mas antes um cigarro acendeu,
fez muitas expressões de sorriso,
sem mostrar o que já sofreu.
Eu o observava, curiosa,
e de vez em quando perguntava:
\"O senhor resolveu?\"
Eu rezava para tudo aquilo logo acabar,
pois o europeu não tinha pressa,
tantas memórias a contar.
Tinha brilho nos olhos
quando falou do amor que
durante anos viveu.
Chorou, sorriu, partilhou e
disse que de nada se arrependeu.
Quando eu vi acabando,
me aproximei para agradecer.
Mas o europeu, com a
velocidade do vento,
desapareceu!!!