Na névoa crepuscular dos sonhos de clorofila
Folhas se tornam notas e os caules compõem a sinfonia
Me perco no sussurro da banda botânica
Enigma verdejante
Tela cloroplasta se desdobra em sintaxe verde
Sentenças de caules se elevam
Parágrafos-galhos, murmúrios de samambaia
Palavras-planta brotando da terra
Um gerânio escarlate
A era berra em estrofe esmeralda
A língua brota, floresce, floresce, brota, floresce!
Cactus-espinhos são pontos de exclamação
Morfemas de pétalas caem
Conjugando o verbo do vento
Somos planta, raiz, presente
Prosa das pétalas
Margaridas, carvalhos
Veia
Seiva
Flui
Triste sina,
triste resina,
triste, triste,
me diz aí, Torquato,
qual é a parada?
A parada deste lugar
que nos ataca,
deste local que
nos assola,
deste país
onde nós,
o populacho,
bando de
Sísifos involuntários,
atarantados na leitura
dinâmica da
“Sociedade do Cansaço”,
temos a consciência doída
de “todas as definições
de fundo do poço
atualizadas com sucesso”