As crianças estão crescendo
Enquanto meu corpo está envelhecendo
E em um curto período de tempo
Percebo que os protagonistas não são mais os mesmos
Até ontem eu tinha 16, meu pai saia de casa com tudo o que mais valia, para que só assim, a gente conhecesse a tão sonhada liberdade
Estava no ensino médio, vivia o meu amor adolescente, fazia o meu passado amargurar o meu presente, ainda faço, mas dessa vez é diferente, pois eu não tenho mais a mesma idade
Não me arrependo do meu passado, muito pelo o contrário, mas eu sinto como se tivesse sido roubado
Ainda sou jovem de mais para ser velho, mas me sinto tão cansado
Fracassado e solitário, nunca irei conseguir dar o primeiro passo
Queria tanto abraçar minha mãe sem ser em um momento de crise, mas estou sempre preso em minha mente
Minhas irmãs para mim ainda são tão pequenas, mesmo vendo elas me superarem e passar pela a minha frente
Queria não questionar tanto a minha fé
Queria nunca ter ouvindo que: \"o fruto não cai longe do pé\"
As folhas do caderno que eu e meus amigos tínhamos como diário no colégio estão amarelando
Hoje quando encontro com um deles na rua, não mais os reconheço ou nem consigo mais entender o que estão falando
Esqueço seus codinomes, mas nunca esquecerei quem me ajudou quando cheguei cansado na aula pois tive que escalar o muro da casa do meu tio de madrugada porque meu pai estava em casa nos ameaçando
O tempo passa por mim, tal qual uma ampulheta
E eu vou me dissipando, assim como a areia
Creio que há estrelas que nunca saberão o que é morrer
Enquanto outras, nascem para brilhar apenas uma vez
Você nunca terá para onde correr quando não se é criado num lar feito para te acolher
Eu não sou como você, e se soubesse como isso dói em mim, voce pensaria duas vezes antes de me dizer
Sobre o como eu me faço de vítima
Mesmo sabendo o quão parte eu faço da minha própria autocrítica
Depois de tantas lutas, me tornei em uma pessoa agressiva
Depois de tanto carregar meu lar nas costas como uma tartaruga, me tornei em quem eu mais temia
Dizendo que eu não pedi para nascer
Mas sabendo que morrer é uma escolha minha
Com um coração exausto de tanto bater
Acabei mostrando os dentes para a minha única amiga
Eu não me perdoaria, mesmo se ela me perdoasse
Ela me perdoou e eu a perdoei, mas eu nunca me perdoaria
Pois eu fui ensinado a não temer
E pela a primeira vez eu tive medo ao me ver
Eu luto pela a paz, mesmo tendo uma guerra dentro do peito
E só se luta pela a paz, aquele que sabe como é ter o inferno por dentro
Ando pelas as ruas de cabeça erguida, mesmo quando ela pesa mais que meus pecados e minhas mentiras
Por mais que eu sorrie, acene, chore ou fique calado
Dentro de mim, eu sempre tenho me perguntado:
O que eu estou fazendo com a minha vida?