Eu sempre curti muito o som dos Raimundos
Pra cima e pra baixo ouvindo e cantando Selim
Aquilo pra mim era pura poesia
Desejos na mente que não tinham fim
O banquinho da bicicleta eu sempre sonhei ser
E ter aquelas pernas coladas em mim
O ânus a suar sempre a me cativar
Sem imaginar também o que podia rolar
Ah, sonhos proibidos, tão loucos e reais,
O que parecia mágico, virou coisa demais.
De repente começa o tal do bombardeio
Metralhadoras eu ouço: “Tá fedido demais, fui jogado para escanteio”
Também sempre quis ser a calcinha daquela menina,
Para me divertir ao lado de uma bela vagina
Mas lembrei dos dias que trazem vermelhidão,
E o risco de um deslize... que situação: “Era o sangue da menstruação”
E se o selim, na sua jornada de azar,
Acabar melecado pelo buraquinho de trás?
Entre o calor e o suor que eu sempre quis,
Vem o fantasma do temido resquício marrom-infeliz.
Ah, sonhos proibidos, tão loucos e reais,
O que parecia mágico, virou coisa demais.
Entre o desejo e o pavor, eu fiquei a pensar,
Será que vale a pena tanto me arriscar?