Que bom que chegou, precisamos conversar,
Agora me ouça, sem interrupções.
Há muito guardava o que não posso mais calar:
A verdade nua, sem disfarces, sem emoções.
Viver contigo foi um fardo sem fim,
Nada a acrescentar, só tristeza pra mim.
Já não há lágrimas, nem beijos, nem toques;
A dor é calada, mas não podes negar.
Na armadilha que me fizeste cair,
Amas a outra, como sempre, a mentir.
Que venha a próxima, pois vou te deixar,
Tão pobre, tão mesquinho, nunca soubeste amar.
Mas deixas vir, a outra no meu lugar.
Tu és narcisista, só a ti sabes amar.
Como sabes enganar, fingindo me amar,
O amor, para ti, é apenas um teatro a atuar.
Fui tua esposa, mas para ti, um caso passageiro.
Não sofro mais, não vales o meu pranto inteiro.
Só sinto por ela, essa pequena flor,
Que há de murchar, sem saber do seu pouco valor.
Devolva as roupas caras que te dei e vá.
A chave do carro, na mesa, por favor.
Depois, espalha aos teus amigos em tua canção:
Bela, sem alma, sem coração.