Era um dia comum, eu saí pra caminhar
No centro da cidade, estava a passear
O sol rachando a mente, e o asfalto quente
E foi então que o destino me fodeu de repente
No meio da calçada, aquela multidão
Meu chinelo filho da puta arrebentou, que confusão
Fiquei ali parado, sem ter reação
E o povo me olhando, como uma aberração
Chinelo filho da puta, por que tu fez isso comigo?
No calor de rachar, cê virou meu inimigo
E agora tô descalço, queimando o meu dedão
Pisando no inferno, ainda vem merda de cão
Caminhei mancando, me sentindo humilhado
Com o pé no chão quente, já tava assado
Quando de repente, um presente especial
Um cocô de cachorro, fresquinho e colossal
O cheiro subiu forte, quase perdi a noção
E o povo cochichando: \"Olha lá o pobretão!\"
Com a sola toda cagada, fui até uma loja
E o preço do chinelo? Me fizeram de trouxa
Chinelo filho da puta, por que tu fez isso comigo?
No calor de rachar, cê virou meu inimigo
E agora tô descalço, queimando o meu dedão
Pisando no inferno, ainda vem merda de cão
\"Moça, esse preço tá errado, tá de sacanagem!\"
\"É assim mesmo, meu senhor, bem-vindo à pilantragem!\"
Paguei sem discutir, mas já puto da vida
Saí da loja dizendo que o mundo só fodia
Chinelo filho da puta, cê me tirou do sério!
Rasguei meu bolso, comprei outro, e fiquei sem um puto no bolso:
Será que amanhã, essa merda vai durar?
Ou vou pisar na bosta de novo e o inferno recomeçar?
Cheguei em casa jurando, chutando porta e geladeira
Que o próximo chinelo que quebrar vai pra fogueira
Se eu pisar na merda de novo, eu vou te avisar:
Quem me olhar torto na rua vai ouvir eu gritar:
Chinelo filho da puta, cê fodeu meu dia inteiro!
Mas eu sou mais teimoso que esse preço do carniceiro
Vou andar descalço, vou xingar o mundo em vão
Porque se der mais um azar, eu vou cagar em cima do cão.