É nos galpões do meu pago Onde repousam lombilhos Que os tentos dos cabrestilhos Se apresilham c’oas auroras. Pra abraçar as garroneiras Junto as ânsias que embuçalo, Pois quando saio a cavalo Mais um verso calça espora. Meus pingos sabem da lida, Um a um quebrei do cacho E mordendo o barbicacho Redemonei-os assim. Para depois retrata-los Na moldura dos meus potros, Pois não é pra agradar os outros. Meus versos falam por mim. Sempre que saio a cavalo Volto de verso amansado De cola e bocal atado Sem retovo campo fora. Mesmo que um potro veiaco Que se arrucina com calma, O verso que habita a alma Igual a mim calça espora. Mais um verso calça espora Nestes fundos de invernada, Quando se forma a potrada Num mangueirão entaipado. São pingos pedindo arreios Pra mais um dia de lida E os sonhos ganham guarida Na boca de um queixo atado. São nos mates madrugueiro Que se lavam com o sereno, Nos baios de fumo bueno Das fumacentas tragueadas. Guitarra e verso se encontram Pra moldura destes quadros Onde essas coisas do pago Trazem esporas calçadas.